“Estamos trayendo el tema al debate. Hoy la reunión es para fortalecer los mecanismos para luchar en contra del crimen organizado. Mientras el consumo no se logre reducir, el problema (del tráfico de drogas) va a seguir”, dijo Pérez Molina durante una conferencia de prensa.Essa contudo não foi a primeira vez. Em janeiro, poucos dias depois de tomar posse do cargo, durante entrevista para a televisão colombiana, Pérez Molina fez declarações no mesmo teor. A reação do governo americano foi imediata, mas não parece suficiente para intimidar um movimento de contestação crescente que ganha momentum.
15 Fevereiro 2012
Mais fissuras na guerra contra as drogas
04 Fevereiro 2012
Realistas são de Marte?
Para uma ala dos realistas, portanto, os EUA não deveriam ter entrado em guerra contra o Iraque se seguissem seus preceitos. Sobre esse ponto, Drezner dá a palavra aos organizadores da TRIPS (pesquisa sobre o ensino e pesquisa de relações internacionais na academia norte-americana) que tem argumentos com base empírica para afirmar que pesquisadores que declaram filiar-se a essa tradição revelaram ter maior pendor bélico do que seus concorrentes:
In 2004, we asked IR scholars in the U.S. a variety of questions about their support or opposition to the war in Iraq. Among dozens of other questions, we also asked scholars to report the primary IR paradigm that they employ in their research, their political ideology, and their substantive field of study. No matter how we asked the Iraq question (and we asked it four different ways), realists are no more likely than liberals or those who don't adhere to a particular paradigm to support or oppose the war in Iraq once we control for political ideology. If we leave ideology out of the model, realists are actuallymore likely to have supported the war in Iraq. Constructivism is the only paradigm that is statistically significantly correlated with opposition to the Iraq war after controlling for ideology.É bem verdade que a versão estritamente acadêmica pode estar sendo deturpada por indivíduos politicamente engajados, contudo:
[...] it is individual realists — not some version of realist theory personified — who are appointed to policy posts in Washington to craft and implement policy, who write op-eds, blog posts, and journal articles to inform current policy makers, and who teach future policy makers at colleges and universities. And those realists (on average) were not less inclined to advocate the use of force in Iraq back in 2003 and they are not less inclined to advocate the use of force against Iran today.
31 Janeiro 2012
Os benefícios da ajuda internacional
Foreign Aid and Voting Behavior in an International Organization: The Case of Japan and the International Whaling Commission
from Foreign Policy Analysis by John P. TumanThis study examines the relationship between Japanese foreign aid disbursement and recipient state membership and voting in the International Whaling Commission (IWC). Focusing on 104 countries for the period 1994–2005, we investigate whether Japan gives more aid to IWC members that vote with Japan. The effects of the independent variables are estimated with a linear mixed regression model. Controlling for other possible influences on official development assistance (ODA) disbursements, and employing different measures of dyadic voting similarity, the study finds Japanese aid concentrates in members of the IWC that are microstates. The findings of the paper also indicate that microstate members of the IWC who align their votes with Japan are more likely to receive Japanese ODA. By demonstrating that Japan’s strategy is focused on microstates, the study provides a more refined understanding of the mechanisms Japan employs to end the IWC’s moratorium on commercial whaling.
19 Janeiro 2012
Como ser um bom painelista
The discussant’s art
A colleague and I were lamenting the state of paper discussants the other day. Seldom do we faculty teach graduate students how to be professionals. Even more seldom are we examples of brevity and wit. With that in mind, we came up with a list of tips for the budding academic:
1. Start by telling people why they should care. It is seldom obvious. What’s the big question, and what’s at stake if the paper gets it right or wrong?
2. Then summarize the paper. Break it down differently than the presenter. Pretend you are explaining it to your grandmother. Or, rather, your adult-attention-deficit-disorder grandmother. Keep it short.
3. Say more with less. Mathematically, everything you say after your best point lowers the average quality of your comment. Pick your three best points, say them briefly, then stop talking.
4. Now, say even less. Those three comments? Write out, in bullets, exactly what you plan to say. Now cross out half. What you think will take eight minutes will take fifteen. Bring it back to eight.
5. Be constructive. A colleague once said to me: “I like it when people find problems with my paper, but I like solutions more.” Finding solutions makes you think (and displays it too).
6. Don’t discuss the small stuff. Write your little comments down, and later give them to the author. Don’t bore the audience with footnotes and trivia.
7. Feel free to entertain. A discussant need not merely list ideas. You can weave in an anecdote, or frame a point with a story. At least speak from a personal point of view, not a monotone benevolent overlord.
8. Have fun, don’t make fun. If you use humor, let it not be at the expense of anyone but yourself.
9. Spell it out for us. Tell us why your comments matter. Say precisely what we learn.
10. Aim for profound. The best discussants rotate my brain 90 degrees. They reframe the problem, or propose a novel idea. I can’t tell you how to be deep. I seldom succeed myself. For me, a few things usually help. I read the paper, walk away for a day or two, then return. I ask myself questions: Do I think about a big question differently now? What convinces me, and what would convince me more? Where should the field be going?
18 Janeiro 2012
Profetizando na vida dos guianenses
In short, if Mr. Sarkozy officially opens the Oyapoque bridge next week, he will do more than just inaugurate an obscure jungle passage: he will help end centuries of Guyanan isolation and conflict, underscored by its riverine borders and inaugurate the area’s long-overdue integration with the rest of South America. Maybe one day – if other bridges get built – there will be a coastal highway connecting five of the region’s capitals: Macapà (Amapà), Cayenne (French Guiana), Paramaribo (Suriname), Georgetown (Guyana) and Caràcas (Venezuela). Given the right rhetoric flourish, his speech may later be remembered as the beginning of it all.
16 Janeiro 2012
Spy vs. Spy
Um filme de espionagem sem perseguições eletrizantes, explosões fantásticas, geringonças de alta tecnologia, estratagemas mirabolantes nem supervilões insanos que querem dominar o mundo. Nada disso, O espião que sabia demais (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011), adaptação magnífica do romance de John Le Carré, tem uma perspectiva bem mais soturna da vida obscura que esses assassinos profissionais levam. Convenhamos que ganhar a vida com segredos, mentiras e conspirações não é a forma mais adequada para desfrutar de relacionamentos íntimos e duradouros. O clima glacial e cinéreo do ambiente externaliza o mundo interior devastado pela solidão de seus personagens cuja história (apenas insinuada) está repleta de paixões reprimidas, casamentos falidos, amores não correspondidos e casos abortados.
A trama é simples: estamos em 1973, em plena Guerra Fria. Há um agente duplo que vasa informações para os soviéticos infiltrado na cúpula do Circo, codinome carinhoso do serviço secreto britânico (MI6). O agente despachado para a Hungria com a missão de descobrir o nome do traidor é baleado e dado como morto. Caindo em completo descrédito, Control, chefe do Circo, é aposentado compulsoriamente. Após sua morte (ficamos na dúvida se foi natural, suicídio ou queima de arquivo), novos indícios surgem e um agente da velha guarda, George Smiley, é convocado para espionar quatro suspeitos, antigos colegas seus. Lealdade, portanto, é o ponto central da história: lealdade ao país, à organização, à missão, mas acima de tudo, lealdade a si mesmo.
Os inimigos que Smiley tem de combater são leais apenas a si mesmos. Eles se enredam numa teia de informações falsas, manipulações e disputas internas para ascender cargos e obter favores de políticos ambiciosos cujo único fim acaba sendo promover a si próprios ou, no dizer de um deles, "deixar sua marca". Por trás deles, está o arquinimigo Karla, o misterioso e fanático chefe do serviço secreto soviético que jamais aparece, tal qual um espectro em negativo de Smiley.
O sueco Tomas Alfredson (diretor do fantástico Deixe ela entrar) imprime um ritmo de andante maestoso à narrativa, abrindo amplo espaço para atentarmos a detalhes significativos como, por exemplo, o sistema de comunicação de arquivos por pequenos elevadores (que mostram como os níveis hierárquicos correspondiam à altura dos andares), as sessões de natação no rio ao ar livre e a consulta ao oftalmologista (parte da adaptação do ex-agente ao cotidiano de um aposentado), ou o emaranhado de vias férreas que traduzem visualmente a rede de complôs e intrigas a deslindar.
Detalhes como esses recheiam a narrativa, aguçam o olhar e tranquilizam a atenção até que, subitamente, um ato de violência (que nem chega a ser mostrado) enche de sangue a tela. Com Alfredson estamos bem longe da cacofonia e do histerismo que marcam muitos filmes atuais de ação frenética e sem sentido.
10 Janeiro 2012
Violência racional
O estudo indica que um fator chave é a estratégia de repressão por parte do Estado. Parte chave da política de pacificação é uma repressão condicional. O Estado vem com muita força, mas só aplica o total dessa força se os traficantes optam pelo confronto. Se eles fogem, não usam violência, são deixados mais ou menos em paz. Podem traficar, até ficar com uma fatia de lucros do mercado de drogas, desde que não usem a violência. Isso cria um incentivo para não usarem a violência.
No México, por vários motivos, (o presidente Felipe) Calderón optou por uma política idêntica contra todos os cartéis ao mesmo tempo, sem distinção, por motivos políticos e institucionais. O resultado é que, lá, a violência é não condicional. Não importa se o cartel usa ou não a violência, ele vai enfrentar o mesmo nível de repressão pelo Estado. Isso cria incentivo de usar mais violência.
04 Janeiro 2012
Os cinco parâmetros dos modelos teóricos nas ciências sociais
"Every theoretical model in social science has five parameters. First, every model pertains to a certain level of analysis - individual, group, national, world-systemic, or some intermediate gradation. Second, it has one or more dependent variables. Third, it has one or more explanatory variables. Fourth, itr applies to a certain relevant universe of cases. And fifth, it applies to events or processes that take place during a certain period of time. We can refer to the definitions of each of these five parameters as possessing zero order complexity because no relationships among parameters are necessarily involved. However, even at the zero order there is great leeway in defining a concept, measuring it and any explanatory factors, selecting a relevant sample of countries for testing a set of explanations, and defining the period of time to which the explantions apply. And this example applies just to the national level of analysis. With smaller or larger units of analysis one would use completely different variables, cases, and time frames."Nada como este parágrafo do artigo de Michael Coppedge, "Thickening thin concepts and theories: Combining Large N and Small in Comparative Politics" (Comparative Politics, Vol. 31, Nº 4, 1999), para inaugurar o citário de 2012. Ele os que se seguem sobre ordens crescentes de complexidade (relações causais dentre e dentro de um ou mais parâmetros que aumentam a densidade explicativa às custas da capacidade de generalização) dão uma ótima ementa para um curso de metodologia e desenho de pesquisa.
02 Janeiro 2012
2011, o ano da indignação
Digo quase que de propósito pois o clamor do povo por liberdade, justiça e prosperidade que deslanchou na Tunísia e se espalhou pelos países árabes, derrubando poderosos ditadores no Egito e na Líbia, desestabilizando governos da Síria ao Iêmen e estimulando reformas em todos, esse clamor popular guarda uma grande semelhança com o processo revolucionário que começou em 1989, na antiga Alemanha Oriental, com a Reviravolta. Naquele ano, de forma inaudita, a União Soviética alcançara o ponto crítico de uma situação revolucionária.
Situações revolucionárias não são revoluções e aqui me apoio no sociólogo anglo-alemão Ralf Dahrendorf (esse autor foi mais importante em minha formação do que Fukuyama ou Huntington), para quem elas seriam situações graves dos negócios humanos que antecedem a suspensão da vida cotidiana. Elas ocorrem quando não apenas grupos sociais, mas todo potencial de mudança existente foi muito tempo reprimido por uma classe dominante. Suas palavras se aplicam quase literalmente ao atual palco da revolução democrática (grifos meus):
Essas situações são um barril de pólvora, mas alguém tem que riscar o fósforo. Em termos mais precisos, um elemento de esperança tem de ser adicionado a uma situação revolucionária para fazê-la explodir. E essa esperança é, em geral, fornecida por algum tipo de sinal de fraqueza por parte da classe dominante - por uma reforma que dê ao povo ânimo para pressionar pro mais, por um indício de insegurança que desmascare a farsa. ("As revoluções têm de fracassar sempre?" In: Após 1989: Moral, revolução e sociedade civil. Paz e Terra, 1997)Se naquela época a centelha de esperança foi acesa pela decisão de Gorbachev em não reprimir o povo que afluía ao Checkpoint Charlie, hoje foi um mártir de apenas 27 anos - o tunisiano Mohammed Bouazizi, vendedor de rua, que se autoimolou, ateando fogo às vestes, em protesto à humilhação infligida por policiais corruptos.
Mas nem só da ruína de regimes autoritários em países pobres se fez este ano. Massas de cidadãos ocidentais afluíram às ruas de Espanha, Grécia, Inglaterra e ocuparam Wall Street para demonstrar sua profunda frustração com os programas de ajuste econômico apresentados pelos governo como solução à crise financeira e com a desigualdade social que se instalou nas últimas décadas de hiperliberalização.
O sentimento de indignação foi o ponto comum a todos esses movimentos. Movidos por aquele ancestral instinto de orgulho e vontade de reconhecimento chamado thymos - o espírito que animava a preservação da politeia platônica, o motor hegeliano da História. Qualquer que venha a ser seu futuro, as revoluções democráticas nos países árabes (e revoluções costumam resultar em um balanço que pende mais para uma renovação conservadora que radical) e as manifestações populares nos países desenvolvidos em crise deixarão sua marca como ponto de virada da política internacional.
Tempos interessantes para viver. Que venha 2012.
22 Dezembro 2011
A quadratura do círculo
The recent global financial crisis has once again shaken people's faith in the ability of capitalism to provide a sustainable flow of broad-based economic benefits to the public at large. It serves as a reminder of the fragility of the post-World War II order Müller describes. Recent demonstrations in Europe and the United States, meanwhile, attest to the failures of democratic governments to respond adequately to the crisis or satisfy public demands for action. Müller is aware that the hard-won postwar equilibrium should not be taken for granted, and he holds up the crisis of 1968 as an indication of its brittleness.
Today's economic crisis is also a reminder of the contemporary relevance of the issues that Marx and his disciples, including Hobsbawm, have agonized over. Dialectically (if one is still allowed to use the term), Hobsbawm's suggestions for how elements of Marxist thinking can inform solutions to the crisis might still rescue the approach from total relegation to the dustbin of history. As the crisis has made clear, market fundamentalism, radical privatization, and a universal fear of state power are overly simplistic answers to the question of how to sustain a modern, globalized economic order.Concordo. Tenho para mim que a solução para este momento pós-neoliberal emergirá de um consenso que promova um reequilíbrio entre os valores de igualdade social, representação política e eficiência econômica. Acho que era esta era a quadratura do círculo que afligia Ralf Dahrendorf, ainda na década de 1990.
