02 Outubro 2011

Como se tornar um ditador bem sucedido

Bruce Bueno de Mesquista e Alastair Smith acabam de lançar o manual do ditador. A campanha publicitária inclui um artigo na Foreign Policy com dicas sobre o que Obama pode aprender com autocratas para se reeleger e uma série de posts no Monkey Cage, o primeiro dos quais revela o erro de Khaddafi que acabou lhe custando o cargo que ocupou por mais de quatro décadas.

A obra é fruto de quase duas décadas de estudos com base na teoria do seleitorado. Basicamente, presume que os líderes políticos de qualquer tipo de governo (democráticos ou não) querem, acima de tudo,  permanecer no poder (no caso das democracias, reelegendo-se ou fazendo um sucessor do mesmo partido). Para tanto, eles buscam aliados dentre os membros da comunidade política que possuem algum poder de influência na escolha do líder (os eleitores em democracias; a corte em monarquias; as forças armadas em ditaduras militares). Esse grupo é chamado "seleitorado" (selectorate), um neologismo criado com a junção das palavras "seleção" e "eleitorado".

Para manter-se no poder, o líder precisa do apoio apenas de um subconjunto desse seleitorado, a "coalizão de vitória" (winning coalition). Todas as formas de governo e regimes políticos podem ser classificados com base nessas duas instituições - o seleitorado (S) e a coalizão de vitória (W) - e o comportamento dos líderes racionais e egoístas é moldado pelas restrições impostas pela variação da proporção W/S. Mudanças políticas (reformas, revoluções, golpes) basicamente se concretizam com a expansão ou redução da base de apoio do líder e do grupo do qual ele pode cooptar pessoas.

Ditadores bem sucedidos são aqueles que mantém um seleitorado bastante abrangente e uma coalizão de vitória bastante reduzida. Isso diminui os incentivos dos apoiadores a desertarem, aumenta os custos de potenciais oponentes, garantindo alta fidelidade ao líder. A coalizão reduzida permite ainda que o ditador forneça bens privados aos membros da coalizão e ainda disponha de uma grande renda para uso discricionário. Em democracias, a coalizão vencedora é tão ampla que o líder tem incentivos para produzir bens públicos (apropriáveis por todos, não apenas os membros de W) e isso reduz drasticamente a fidelidade ao incumbente e os custos para os oponentes fazerem promessas críveis.

Esta dissertação de mestrado de Gabriel José Campos Ervilha, defendida em 2008 no Departamento de Economia da UnB, traz uma exposição detalhada dessa teoria aplicada à história político-institucional brasileira.

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