Nesta entrevista à BBC, antiga já de algumas semanas, o cientista político brasileiro
Benjamin Lessing que pesquisa
a violência relacionada ao combate ao crime organizado, aponta para as diferentes estratégias adotadas pelo governo brasileiro (no âmbito do Rio de Janeiro) e mexicano que levam a resultados completamente diferentes: apaziguamento das comunidades ocupadas e escalada da violência:
O estudo indica que um fator chave é a estratégia de repressão por parte do Estado. Parte chave da política de pacificação é uma repressão condicional. O Estado vem com muita força, mas só aplica o total dessa força se os traficantes optam pelo confronto. Se eles fogem, não usam violência, são deixados mais ou menos em paz. Podem traficar, até ficar com uma fatia de lucros do mercado de drogas, desde que não usem a violência. Isso cria um incentivo para não usarem a violência.
No México, por vários motivos, (o presidente Felipe) Calderón optou por uma política idêntica contra todos os cartéis ao mesmo tempo, sem distinção, por motivos políticos e institucionais. O resultado é que, lá, a violência é não condicional. Não importa se o cartel usa ou não a violência, ele vai enfrentar o mesmo nível de repressão pelo Estado. Isso cria incentivo de usar mais violência.
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